quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Kalú


"Uma vez na tornée calhou-me ficar no mesmo quarto com o Botas e combinámos fazer uma partida ao Tim que estava no quarto ao lado. Eu fui buscar um copo cheio de água e, naquela porreira, fui à varanda, chamei o Tim, calculei bem... e encharquei-o todo, Eu e o Botas ficámos a rir à gargalhada na cara dele.
Quando à noite voltámos ao quarto comecei naquela conversa com o Botas, estilo "Oh Botas, já lavaste os pés?, deixa as botas na casa de banho e fecha a porta!" - era a conversa do custume, porque ningém imagina como cheiram os pés do pessoal ao fim de andar uma semana na estrada sem direito a banho. Deitei-me, e senti um cheiro danado. Até adormecer chamei todos os nomes ao Botas, em pensamento: "Filho da puta, enganou-me, agora tenho que levar com este cheirete..." Na mesma altura, e sem eu saber, estava o Botas a pensar o mesmo de mim. Quando acordei, o cheiro estava mais pestilento que nunca, parecia que estava enfiado no meu nariz... Foi aí que o Tim apareceu de carinha de água ... "Venho buscar as minhas meias..."
Pois é, o gajo para se vingar tinha metido as meias entre a fronha e a almofada.
Umas meias que tinham mais de cinco dias de uso..."


(Kalú, in Conta-me Histórias, Xutos & Pontapés)

2 comentários:

Anónimo disse...

De morrer a rir!

Anónimo disse...

A vida de estrada deve ser gira deve